OPINIÃO: SOBRE PAIS FUMANTES E FILHOS ABANDONADOS

Você já deve ter ouvido, ao menos, uma vez em sua vida a história do cara que "foi comprar cigarro e  nunca mais voltou". Que, coincidentemente, saiu pra fumar num lugar bem distante quando descobriu que teria um filho de forma não planejada. Pra quem fica, quais são os efeitos deste abandono afetivo? É sobre isso que esta Coluna de Opinião falará brevemente (Foto de Francesco Paggiaro para Pexels)




AVISO AOS LEITORES: ao contrário de nossas reportagens, a Coluna de Opinião traz, como o próprio nome já diz, a opinião de quem a escreve sobre fatos concretizados, não representando necessariamente um posicionamento oficial do Podcast Cafezinho com William Lourenço, enquanto veículo de imprensa (emitido somente por meio de nossos Comunicados Oficiais e Editoriais).


Por João Gabriel Silva



A figura do pai que sai para adquirir cigarros e nunca retorna é uma representação impactante que revela uma dor real vivida por inúmeras crianças e jovens. Esse gesto, que pode parecer trivial, camufla, contudo, um abandono emocional profundo, cujas consequências podem se estender por toda a existência. 
Essa figura paterna, que sai de casa em busca de cigarros e desaparece, representa não apenas uma ausência física, mas também um vazio emocional que é deixado em muitas crianças. Para muitos, esse ato torna-se um símbolo doloroso de abandono.
O pai se transforma em uma metáfora para aqueles que prometem estar presentes, mas por diversas razões (sejam elas pessoais, emocionais ou circunstanciais), não conseguem cumprir essa promessa: isto é, abandonam as crianças, deixando de cumprir o seu papel natural de proteger sua prole. 
Para a grande maioria das crianças, a espera pelo retorno do pai é repleta de esperança e do sonho de que um dia aquela pessoa retorne. Nesse sentido, o relógio parece andar mais devagar enquanto elas olham pela janela, imaginando que, em qualquer instante, ele poderá voltar trazendo não apenas os cigarros, mas também um pedaço de conforto e normalidade. Devolvendo uma parte da vida que se foi. 
Isso, claro, caso ele tenha sido presente em algum momento da vida da criança. Muitas vezes, nem isso eles são capazes de fazer. Essa espera que pode durar horas, dias ou até mesmo anos, quiçá a vida inteira, se transforma em uma jornada de autoconhecimento e maturidade forçada. Logo, o que deveria ser uma simples saída para comprar cigarros se torna um marco na história de uma vida, gerando muitos problemas no futuro. 
Mesmo que a mãe tenha que se virar em dois para a criação dessa criança, a ausência paterna tem sim muita influência no psiquismo infantil, gerando traumas que serão sentidos no futuro. 
Deveria haver mais responsabilidade dos homens, pois se você não é capaz de oferecer o mínimo à sua prole, não tenha uma prole. É simples. Ou pelo menos, se o vício for mais forte e tiver que ir de fato comprar cigarro, que vá num lugar próximo e volte pra cuidar dos seus filhos.
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