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Uma dívida que a Prefeitura de Buíque, no agreste pernambucano, deixou de pagar com os chamados precatórios poderá resultar em um bloqueio judicial das suas contas bancárias. O Podcast Cafezinho com William Lourenço obteve acesso a informações de, pelo menos, 45 processos em tramitação no Núcleo de Precatórios do Tribunal de Justiça de Pernambuco movidos contra o município em 2023, à época chefiado por Arquimedes Valença, totalizando mais de R$ 1,2 milhão em pagamentos. Para trazer o conteúdo a seguir, obtivemos autorização do advogado de uma das partes autoras de um dos processos movidos contra a Prefeitura de Buíque. Os dados dos autores das ações (como nome e qualquer outra informação que venha a identificá-los) foram ocultados por questões editoriais deste veículo de imprensa e pelo previsto na autorização concedida pelo advogado para a publicação desta matéria.
Os precatórios são requisições de pagamentos expedidos pelo Judiciário para cobrar de municípios, dos estados ou da União (incluindo autarquias e fundações) valores devidos após condenação judicial definitiva, podendo ser de natureza alimentar (ações judiciais relacionadas a salários, aposentadorias, pensões ou indenizações) ou não alimentar (quando tratam de outros temas, como desapropriação e tributos). Independente de quem venha a assumir o mandato ou de quando se originou este precatório, esse pagamento é obrigatório e deve ser feito pelo município (caso de Buíque) e por aquele que ocupa o cargo de prefeito (atualmente, por Túlio Monteiro).
Em um destes processos, o requerente alega que havia trabalhado como Supervisor Pedagógico para a Prefeitura entre os anos de 2013 e 2016, mas que não havia recebido os valores das férias deste mesmo período, em que o prefeito era Jonas Camelo. Já em 2017, quando Arquimedes Valença retornou ao posto de prefeito, o município não quis efetuar estes pagamentos e foi processado. A Justiça condenou a Prefeitura de Buíque, em 2020, a pagar ao requerente os valores pertinentes às férias vencidas e não gozadas correspondentes aos anos de 2013 a 2016. Atualmente, estes valores estão em pouco mais de R$ 14 mil.
Numa petição enviada ao TJPE em 27 de janeiro, o advogado do requerente disse que, mesmo com quase cinco anos da sentença em favor do seu cliente, a Prefeitura de Buíque não efetuou o pagamento do referido precatório. Diz parte do documento, ao qual obtivemos acesso com autorização:
"Importante destacar que a dívida de precatório devida ao Autor não foi quitada até a data de 31 de dezembro de 2024, situação que se deve exclusivamente à má gestão da administração pública municipal. Este ponto crucial está evidenciado e é objeto do processo administrativo n.º 0011340-19.2024.8.17.9000, instaurado pela Presidência do Tribunal de Justiça de Pernambuco. O processo em questão é um reflexo das irregularidades financeiras e administrativas que culminaram no não pagamento do exercício de 2024".
O portal Tome Conta, do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco, mostra que em 2024, a receita arrecadada por Buíque superou a casa dos R$ 240 milhões. As despesas liquidadas neste mesmo ano foram de pouco mais de R$ 210 milhões, o que indica que pelo menos R$ 30 milhões ficaram disponíveis em caixa. As informações apresentadas neste portal refletem o conteúdo enviado pelos gestores e não representam, necessariamente, dados auditados.
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Fonte: Portal Tome Conta/ TCE-PE |
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Fonte: Portal Tome Conta/ TCE-PE |